Atenção à Saúde Mental de Crianças e Adolescentes em Florianópolis: em que pé estamos???

O Coletivo Pira convida para um novo encontro de formação, agora em torno do tema do atendimento de crianças e adolescentes na rede de saúde mental.

O título do encontro é apresentado em forma de pergunta para propor algumas reflexões: o que se oferece como estratégia de atendimento? Qual a política que orienta os serviços e dispositivos de atendimento de crianças e adolescentes? O que é necessário para que a rede municipal de Florianópolis tenha suprida suas necessidades nessa área? O que podemos fazer para avançarmos na constituição de uma rede de atendimento?

Convidamos também para o debate:

Dra. Brigitte R. de Souza May, juíza da Vara da Infancia e Juventude;

Psicologa Christina de Salles Juchem, psicologa clínica;

Marcelo Preto, presidente da Associação de Pais e Amigos do CAPSi de Florianópolis.

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Para aquecer, deixamos como sugestão de leitura, dois links:

http://www.clinicaps.com.br/clinicaps_pdf/Rev_07/Revista%207%20art%205.pdf

http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/caminhos_infantojuv.pdf

Então até dia 24!

Convide seus colegas, ajude a divulgar!

Abraços Antimanicomiais!

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Apresentação de relatório da Comissão de Saúde Mental do Conselho Municipal de Saúde

No dia 03 de abril de 2012, representantes do Coletivo PIRA! (Produção Integrada de Resistência Antimanicomial) apresentaram ao Conselho Municipal de Saúde de Florianópolis (CMS) uma série de denúncias com relação ao funcionamento do CAPS II Ponta do Coral, apontadas principalmente pelos usuários do serviço. Naquela ocasião, foi solicitada a intervenção do CMS na unidade de saúde, devido ao grave teor das denúncias, que perpassavam pela garantia dos direitos humanos dos usuários do CAPS II Ponta do Coral.

Após o acolhimento das denúncias pela plenária e a apreciação da Câmara Técnica, ficou estabelecido que a Comissão de Saúde Mental do Conselho Municipal de Saúde deveria apurar tais denúncias e produzir um relatório de avaliação a partir dos dados levantados.

A Comissão de Saúde Mental foi composta por dois Conselheiros Efetivos, uma representante da UFSC, um representante do Conselho Municipal de Assistência Social e dois representantes da gestão municipal. Este grupo dedicou-se à produção do relatório, realizando reuniões com os três segmentos responsáveis pela existência e funcionamento do serviço: usuários, técnicos e gestores.

Com as informações e os relatos obtidos, além da consulta as diretrizes técnicas do Ministério da Saúde acerca da atuação no Campo da Saúde Mental e da Atenção Psicossocial, a comissão concluiu seu relatório que será finalmente apresentado à população. A apresentação será na próxima terça, dia 26/03/2013, a partir das 13h30, no auditório da Unidade Básica de Saúde da Trindade.

Oficina de Teatro do CAPS II Ponta do Coral em apresentação na UFSC

Oficina de Teatro do CAPS II Ponta do Coral em apresentação na UFSC

Parabéns ao Coletivo PIRA e aos usuários do CAPS II Ponta do Coral pela mobilização!
Esperamos que as condições e a garantia dos serviços melhorem.

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

O equívoco das internações involuntárias em São Paulo

Com amplo trabalho realizado com dependentes químicos, o psicanalista Antonio Lancetti* questiona a decisão do governo de São Paulo de implantar a internação involuntária para diminuir o número de usuários de drogas nas ruas.

Texto originalmente publicado em Revista Brasileiros (clique aqui)

Foto de Rafael Vilela

Foto de Rafael Vilela

Por que o Governo do Estado decidiu justamente agora deflagrar novamente uma caçada aos usuários de crack do centro de São Paulo?

Por que agora depois do fracasso de um ano de prisões, internações involuntárias e voluntárias por “convencimento obrigatório”- isto é, pessoas que assinaram sua internação para não serem indiciadas como traficantes, pois a lei não especifica qual a quantidade que diferencia usuário de traficante?

Por que justamente agora que o governo municipal está iniciando uma nova gestão redeflagram uma guerra contra os drogados pobres e miseráveis da cidade?

Por que reiniciar outra guerra urbana depois da malsucedida guerra contra o “crime organizado” que resultou na morte de tantos inocentes?

É absolutamente certo que em determinadas situações extremas é necessário internar uma pessoa como medida de proteção, quando se conhece a pessoa, sua história e se tem construído um vínculo de confiança, mas isto deve ser uma exceção e não uma regra. As internações feitas no atacado além de constituir um flagrante desrespeito aos direitos humanos são ineficazes pelas seguintes razões:

– Nas cidades onde não há repressão policial como em São Paulo, os usuários são muito mais fáceis de aceder e tratar e não acendem, como aqui, os cachimbos na cara de qualquer um. Escondem-se para fumar. Ainda respeitam cuidadores e autoridades.

– A quase totalidade de pessoas internadas involuntariamente quando encaminhadas às Unidades de Acolhimento Provisório (em São Paulo tem várias delas destinadas a dar um tempo de seis meses para as pessoas organizem suas vidas) não conseguiram ficar por mais de alguns dias e não aderem a qualquer tratamento, eles dizem: “passei seis meses rezando, já paguei, agora já posso usar”. A maioria dos usuários da cracolândia já foi internada.

– É muito deprimente para médicos, enfermeiros e agentes de saúde que com tanta dedicação conseguem começar a tratar de suas infecções, de suas doenças sexualmente transmissíveis ficarem sabendo que a polícia e a Guarda Municipal nos famosos “rapas” lhes tomam as mochilas com os documentos e os antibióticos ou antivirais. Na prática a ação policial só atrapalhou a ação da saúde.

– Na prática, quando se interna alguém com sérias dificuldades de saúde os funcionários de hospitais públicos têm muita resistência e expressam rejeição tanto de pacientes como de agentes de saúde e enfermeiros que os acompanham. É preciso capacitar esses técnicos para essa difícil tarefa.

– Os funcionários das unidades de saúde da periferia de São Paulo hoje se vem obrigados a lidar com o fenômeno de novas concentrações de usuários de crack. Eles se espalharam pela cidade e se tornaram mais arredios.

Nos EUA foram presas milhões de pessoas e não conseguiram exterminar o consumo dessa droga para pobres. Enquanto a droga é proibida o mercado negro torna-se incontrolável. Nenhuma droga adulterada sumiu do mercado por proibição, algumas foram substituídas por outras como aqui a cocaína injetável pelo crack.

Pensemos: como o crack pode ser considerado uma epidemia se a substância é inerte? Quem paga o advogado da centena de pessoas que esta presa? A que se dedicarão quando saírem daqui a alguns anos da prisão?

A que lugares essas pessoas serão conduzidas? Quem ler estas linhas tem ideia dos locais onde essas pessoas passarão meses de suas vidas?

Por que insistir com ações desintegradas e não realizar uma ação conjunta com as novas autoridades municipais?

No Brasil inteiro estão ocorrendo capacitações de policiais para atuarem em parceria com as redes de saúde e assistência. Por que São Paulo não quer aprender?

Não se pode resolver com medidas simplistas problemas tão complexos. E é por isso que os municípios que adotaram a Redução de Danos e estão criando suas redes de Consultórios na Rua, leitos para desintoxicação em hospitais gerais, UPAS para pacientes graves, Centros de Atendimento Psicossociais CAPS A D (Alcool e outras drogas) de funcionamento durante as 24 horas do dia, casas para reorganizar a reabilitação e a vida com trabalho, moradia, relação com a família e a comunidade, estão avançando. É preciso conhecer o sério e belo trabalho de São Bernardo do Campo.

Pode ser que desde o ponto de vista do marketing a operação seja, por pouco tempo, um sucesso, mas ela vai dificultar o trabalho sanitário e corremos o risco de ser penalizados mundialmente.

*Psicanalista, autor de Clínica Peripatética (Editora Hucitec)

Polícia usará arma de choque contra viciados em crack

Fonte: Folha de São Paulo

“As polícias do Brasil terão armas de choque e spray de pimenta para conter dependentes de crack. A distribuição desses dispositivos é uma das ações previstas no programa ‘Crack, é possível vencer‘, do Ministério da Justiça.

A utilização de força policial, incluindo armas não letais, para o controle de dependentes é controversa. Em São Paulo, operação iniciada em janeiro por Estado e prefeitura foi criticada por especialistas, que defendiam foco maior em saúde.

A orientação para o uso de armas de choque, chamadas de taser, é da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), ligada ao ministério. Segundo nota da pasta, a intenção é que ‘os policiais tenham opções menos letais, principalmente para situações em que existem aglomerados de pessoas’.

A determinação foi motivada pela portaria 4.226, de 2010, do ministério e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. A orientação é que as armas sejam usadas só por policiais treinados.

PROGRAMA

Até agora, 12 Estados estão no programa federal, totalizando R$ 62 milhões em recursos. O Rio recebeu mais recursos: R$ 9 milhões. O próximo a aderir deve ser São Paulo. Além de armas, o programa prevê treinamento de policiais e a compra de câmeras para monitorar cracolândias.

No Rio, serão treinados 200 policiais. Os equipamentos, 250 armas de choque e 750 sprays de pimenta, já chegaram, segundo a Secretaria de Segurança do Rio.

Em nota, a pasta disse que as armas ‘serão usadas apenas em caso de extrema necessidade por agentes policiais’ e que não há ‘qualquer estratégia repressiva de tratamento de choque para usuários’.

Os 150 homens da Força Nacional que desde maio ocupam o morro do Santo Amaro, zona sul, já usam armas de choque em ações contra viciados.”

Até quando irão ser priorizadas, com  o investimento de recursos públicos, ações que legitimam a (re)produção de violência e coersão, os mesmos dispositivos que fazem com que o número de usuários de substâncias psicoativas aumente ainda mais? 

Arte de Susano Correia.

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

Ocupação Contestado: Questão de Saúde Pública

O Coletivo PIRA vem alertar sobre os últimos acontecidos no município de São José, na Grande Florianópolis. Direta e indiretamente, questões de Saúde Pública estão implicadas na Ocupação Contestado!

Na quarta-feira da última semana, 120 famílias saíram do ginásio Jardim Zanellato, onde ficaram por 28 dias, em direção a um terreno, no fim da Rua Eduarmo Manoel da Rosa, em São José. O grupo de famílias tinha sido despejado de outro terreno, ocupado em outubro. As famílias estavam em negociação com a prefeitura de São José, juntamente com o apoio de algumas organizações sociais (MST, Brigadas Populares e Bandeira Negra), para a garantia do direito de moradia digna.

Foto por Andrey Lolo Brigida.

Cansados de tentarem negociar e sem obterem respostas concretas e imediatas, ainda mais depois da “promessa” do então candidato a prefeito Djalma Berger, as famílias decidiram ocupar um terreno baldio das redondezas e ali se estabeleceu a Ocupação Contestado. Atualmente, as questões de acomodação ainda estão bastante precárias, com dificuldades de se obter água e luz, além da alimentação e cuidados de higiene.

Foto por Andrey Lolo Brigida.

Está sendo organizada uma Rede de Apoio para auxiliar no que for possível os moradores da Ocupação Contestado! Uma Frente de Saúde também está sendo acionada para articular com os Serviços de Saúde da região, assim como para realizar algumas ações básicas e educativas em saúde.

Quem quiser se juntar a nós, avise-nos por aqui nos comentários do blog, pelo facebook ou por e-mail (pirantimanicomial@gmail.com)!

Contatos no facebook:
Diários dos Desalojados do Jardim Zanellato
Frente de Saúde da Ocupação Contestado
Ocupação Contestado – Rede de Apoio

Foto por Andrey Lolo Brigida.

Consultório de Rua de São Bernardo: Boas experiências

Para quem ainda tem dúvidas quanto às possibilidades de ação e de efetivação da Reforma Psiquiátrica no Brasil, este vídeo mostra uma realidade muito interessante. A partir da Política de Redução de Danos, a equipe do Consultório de Rua de São Bernardo-SP está avançando muito a partir da lógica da humanização na atenção à saúde e no cuidado aos moradores de rua e usuários da rede de Saúde Mental do município.

“Porque trabalhar com pessoas é diferente de trabalhar com mercadoria.” 

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

10 de Outubro – Dia Mundial da Saúde Mental

O Dia Mundial da Saúde Mental foi criado para ampliar o conhecimento público a respeito dos problemas relacionados à área da saúde mental. O propósito da comemoração da data é promover uma discussão aberta sobre os transtornos mentais, bem como sobre ações de tratamento, prevenção e promoção de saúde.

Em 2012 completam-se 20 anos de comemoração do Dia Mundial da Saúde Mental e, como é de costume, um tema central é escolhido, sendo que deste ano é “Depressão: uma crise global”.

Uma nota sobre o Dia Mundial da Saúde Mental foi publicada no sítio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pode ser acessada através do link:
 http://tinyurl.com/8akcha8 (versão em inglês) e http://unicrio.org.br/dia-mundial-da-saude-mental-10-de-outubro-de-2012/ (versão em português).

Vale a pena conferir também a cartilha publicada pela Word Federation for Mental Health (WFMH) especialmente para a data de hoje:
http://www.wfmh.org/00WorldMentalHealthDay.htm

Tanto a nota da OMS quanto a cartilha da WFMH merecem um destaque por abordar a depressão não só pelo aspecto médico, mas também pelos seus determinantes sociais como pobreza, desigualdade, desemprego, violência etc.

Por último, indicamos também uma série de reportagens da Agência Brasil, publicada no Dia Mundial da Saúde Mental do ano passado, que recebeu o nome de “Retratos da Loucura” e que procurou verificar o estágio de implantação da Reforma Psiquiátrica em vários municípios brasileiros: http://agenciabrasil.ebc.com.br/grande-reportagem/2011-03-10/retratos-da-loucura

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA