18 de maio de 2013 – Eventos

O Coletivo PIRA está envolvido na participação e divulgação de uma série de eventos e diálogos no mês de maio de 2013. Consideramos esses espaços muito importantes para a construção de ações da luta antimanicomial em SC.

São eles:

18 de maio – Coletivo PIRA
O 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Para marcarmos essa data, haverá um debate no dia 14 de maio, terça-feira, na Semana de Psicologia da UFSC. O debate Internações Compulsórias: Outras Opiniões será às 18h30 e haverá alguns professores e profissionais contribuindo para os elementos do debate. Será no Auditório do CFH na UFSC.

Link para o evento: Aqui

internações compulsórias

Conferencia REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: Avanços e Desafios
Conferencia de lançamento do Grupo de Pesquisa APIS – Atenção Psicossocial e Drogas. Com a presença de Roberto Tykanori Kinoshita, Coordenador Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas.

Data: 14 de maio
Horário: 14h
Local: Auditório da Pós-Graduação, bloco H, CCS UFSC

Link para o evento: Aqui

CARTAZ  APIS

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

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Convite pirotécnico: Defesa de TCC

O nosso amigo antimanicomial Fernando Moura, estudante de Ciências Sociais na UFSC, vai defender seu TCC: “Do manicômio à associação: uma etnografia de uma associação de usuários e usuárias de serviços de Saúde Mental de Florianópolis, Santa Catarina“.

Quando: 25/02, próxima segunda
Horário: 15h
Local: Sala do TRANSES (Bloco da Antropologia do CFH – UFSC)

Estaremos lá!
Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

Carta do Coletivo PIRA para a nova diretoria da Associação Linda Mente

No dia 18 de setembro de 2012, ocorreu a cerimônia de posse da nova diretoria da Associação de Usuários do CAPS II Ponta do Coral de Florianópolis-SC, nomeada como Associação Linda Mente. O Coletivo PIRA estava presente e consideramos que foi um evento extremamente organizado e importante.

Saudamos com muita alegria e satisfação a nova diretoria da Associação. Entendemos que hoje, no município de Florianópolis, enfrentamos uma situação que exige de todos nós um alto grau de organização e clareza do que fazer e como agir para que todos os preceitos do SUS, bem como os da Reforma Psiquiátrica, sejam não apenas garantidos, mas cotidianamente construídos e efetivados pelas gestões responsáveis. Coisa que, em sua totalidade, avaliamos que não tem sido feita e tem apresentado truculência em relação aos movimentos sociais.

Para além disso, compreendemos também que a organização dos usuários e sua participação ativa através de sua cidadania não só deve ser considerada como parte indissociável de qualquer ação psicossocial que se pretende terapêutica, como também é parte inseparável da real consolidação do SUS. Tal consolidação depende de um controle social efetivo para que possa realizar e se realizar na função de rede e de direito à saúde para todo o cidadão e cidadã brasileira.

Para o Coletivo PIRA, são espaços como esses que tem o potencial verdadeiro de mudança e criação das diversas saídas e resoluções de muitos dos problemas que a saúde pública brasileira hoje enfrenta, e que conta com número considerável de pessoas dispostas a defendê-la e construí-la tal qual como foi preconizada.

Para que cheguemos por fim a uma sociedade sem manicômios, não nos basta que essas instituições caiam enquanto lugar físico, mas que sejam demolidas todos os dias através da informação e da consolidação de uma rede substitutiva. Além disso, é essencial que não se tenha como nuclear a punição, a normatização e exclusão dos diferentes, mas sim o seu acolhimento, respeito e espaço para integração e mudança de uma realidade que ainda não conseguiu se desvencilhar de ideias como a periculosidade da loucura e da invalidez de pessoas que hoje são diagnosticadas com algum transtorno. Para nós o lugar do louco é o lugar de todos nós: nas ruas, no cotidiano, nas assembléias, câmaras e muito mais.

A nova presidente da associação em seu maravilhoso discurso pontuou muitos dos desafios que teremos de enfrentar na cidade. Corroboramos com todos eles e com seu chamado a luta, assumimos junto da associação e todos os movimentos interessados a responsabilidade conjunta de garantirmos que Florianópolis seja uma cidade que tenha uma rede consolidada e que passe a ser exemplar em relação à Reforma Psiquiátrica. Conseguiremos isso através de nossa ação coletiva e grande esforço na luta pela cidadania e por nossos direitos!

Viva a associação Linda Mente!
Viva o SUS 100% Público!
Por uma sociedade sem manicômios!

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

O Coletivo PIRA e o III ENEAMA

Como alguns sabem, o Coletivo PIRA foi para o III ENEAMA – Encontro Nacional de Estudantes Antimanicomiais, que aconteceu em Belo Horizonte, de 06 a 09 de setembro. Esse evento é muito importante porque foi do I ENEAMA que surgiu a necessidade da criação do PIRA.

Tentaremos aqui falar um pouco de como foi essa experiência, o que não é uma tarefa muito fácil. Podemos dizer que as impressões passaram de pessimistas a compreensíveis, o que buscamos explicar neste texto…

Florianópolis é a capital do estado de Santa Catarina. Vivemos num município com 500 mil habitantes, onde há 1 CAPSII, 2 CAPSad e 1 CAPSi. Pra quem acompanha as discussões do Coletivo PIRA deve ser cansativo escutar isso, mas o nosso CAPSII Ponta do coral está em condições concretas de sucateamento. Sabemos pelos usuários que não existem oficinas suficientes, as refeições são extremamente limitadas, as condições de circulação dificultadas, etc. Ponto positivo: os usuários estão reiniciando a Associação dos Usuários do CAPS Ponta do Coral, após 5 anos sem funcionamento, a passos lentos: ainda com pouca visibilidade e um pequeno número de participantes. No que diz respeito à organização dos usuários em nível municipal, podemos dizer que atualmente é inexistente em nossa cidade. A última tentativa de criação de uma associação municipal já faz 2 anos.

Belo Horizonte é a capital do Estado de Minas Gerais, tem cerca de 2 milhões de habitantes. O histórico de mobilização política da capital mineira dá gosto, e não é diferente no que diz respeito à Reforma Psiquiátrica e à Luta Antimanicomial. Os serviços não só funcionam bem, como estão alinhados com a proposta da Reforma, a qual está bem mais consolidada que em Florianópolis. Atualmente existem 9 CAPS em BH – conhecidos pela sigla CERSAM (Centro de Referência em Saúde Mental) – que em seu conjunto são CAPS III, CAPS álcool e outras drogas e CAPS Infantil. Além disso existem os Centros de Convivência, espaço com incessante fluxo de usuários, onde acontecem diversas oficinas realizadas por diferentes profissionais, não necessariamente da área da saúde, mas ainda assim, com viés terapêutico. É importante ressaltar que os CERSAM’s e os CC’s são territorializados e conseguem estabelecer uma relação de referência e contra-referência, termo que diz respeito à comunicação entre os diversos níveis de complexidade do SUS. Os usuários contam também com a Suricato – Associação de Trabalho e Produção Solidária, criada pelos usuários em 2004. Como cita Marta Soares, terapeuta ocupacional e “secretária da associação” – como se auto intitula: “a Suricato é uma associação de trabalho, com atividades nas áreas de corte e costura, mosaico, marcenaria e culinária e possui uma organização ‘horizontalizada’ de modo a compartilhar saberes e poderes… é uma comparação aos suricates, um animalzinho africano que utiliza a solidariedade para escapar dos perigos das savanas e sobreviver”. É mais que um meio de geração de renda para aqueles que têm dificuldades de se inserir numa sociedade capitalista, é um meio de socialização e de identificação por meio do trabalho.

Sobre nossa experiência no III Eneama, podemos dizer que reforçou nossa vontade de continuar caminhando rumo ao que ainda não temos, mas desejamos para o SUS de Florianópolis. Tivemos a oportunidade de conhecer uma colega psi de Porto Alegre, suas contribuições acerca das políticas de controle social, a disposição para sentar a qualquer momento que fosse para esclarecer o que os Conselhos de Saúde – municipal e estadual – podem fazer diante da participação popular, entre outras conversas mais informais acerca do tema. Ouvimos diversas experiências sobre a participação estudantil nos fóruns municipais, evidenciando o potencial que um fórum municipal pode ter enquanto dispositivo de controle social nos municípios. Além disso, conhecemos a realidade de alguns usuários do SUS de BH, os quais são participantes ativos dos espaços de controle social, como fóruns e associações, protagonizando a luta antimanicomial e garantindo a consolidação destes espaços.

Vislumbramos o que já apostávamos – que é possível pensar a construção de uma Saúde Popular, onde o usuário do serviço possa exercer domínio sobre os processos que regem sua saúde e consolidar fortes laços sociais, seja pela arte, seja pela luta política, seja pelo trabalho ou outros meios. O encontro serviu também para revitalizar nossa certeza de que a saúde mental pode ser tratada de forma não coercitiva, mesmo diante de tantas construções imaginárias que teimam em se opor a isso, justificando a partir do pobre silogismo “todo louco é perigoso” a manicomialização da vida, posição que só interessa para manter os interesses de uma classe dominante, mas pouco contribui para a saúde psicológica dos ditos “loucos”.

Não poderíamos deixar de dizer que sentimos falta de análises concretas no III ENEAMA. Análises que dêem conta de pensar a realidade cotidiana de trabalhadores e usuários dos serviços de saúde mental, os quais muitas vezes funcionam precariamente. Análises que vislumbrem a identificação dos pontos de tensão dos serviços e quais as possibilidades ou não de avanços a partir desses pontos. Pensar isso isoladamente pode ser uma opção, mas acredito – assim como a grande maioria dos que estavam presentes – que pensar coletivamente contribui para avançarmos na construção e conciliação de saberes.

Podemos dizer que o ENEAMA deflagrou em nós algumas questões, como as seguintes: Quais seriam os pontos de tensão nos serviços de BH? Os estudantes, gestores, trabalhadores e usuários de BH necessitam levar em conta, em suas análises, serviços substitutivos que não funcionam efetivamente? Quais seriam os desafios enfrentados nestes serviços em BH? Será a experiência mineira uma exceção diante do país? E os outros colegas de diferentes estados que estiveram no ENEAMA, quais os pontos de tensão das políticas e práticas de saúde mental em suas realidades? E em Florianópolis, quais seriam esses pontos de tensão? Acreditamos que pouco foi falado nas grandes rodas de conversa sobre os desafios enfrentados no SUS pelas cidades presentes no ENEAMA.

Também não deixamos de pensar em questões relativas aos Hospitais de Custódia e à atual “epidemia do crack”; às medidas de segurança; naquela velha história do louco perigoso; às comunidades terapêuticas; às políticas de atenção aos usuários de álcool e outras drogas; às medidas de higienização que estão acontecendo no nosso país com o “fantasma do crack”, pois não é de hoje que sabemos que o crack mascara questões bastante complexas da nossa sociedade, sendo considerado causa da miséria social e não consequência desta. Se a loucura remete às margens da sociedade, o louco infrator e o usuário de drogas estão nas margens das margens – nos esgotos!

E, obviamente, os questionamentos não acabam por aqui…

O Coletivo PIRA volta do III ENEAMA com muito a pensar, com disposição para construir essas análises e continuar a luta contra a lógica manicomial no SUS, a favor de serviços substitutivos eficazes. Para finalizar, uma pequena contribuição de Eduardo Mourão de Vasconcelos, militante da luta antimanicomial no país.:

“Em tempos de sucateamento das políticas sociais, qual a capacidade do movimento antimanicomial de reconhecer, teorizar, avaliar e responder de forma adequada desafios cotidianos e os desafios estruturais?”

Abraços antimanicomiais a todos!

Formação: Luta Antimanicomial e o SUS, 30/08/2012

A saúde pública é para pobres e marginalizados. Pessoas “loucas” são incapazes, não podem opinar sobre nada, elas não tem razão nenhuma em seu pensamento! Envolver-se na política e na transformação social não funciona. Você concorda?

Nós do Coletivo PIRA NÃO e temos um convite!

O Coletivo PIRA tem atuado em Florianópolis desde 2010. Alguns sujeitos tiveram a experiência no I Encontro Nacional de Estudantes Antimanicomiais (ENEAMA), em Porto Alegre-RS, e ficaram abismados com a situação da Saúde Mental em nosso município. Não demorou para que nos organizássemos no mesmo espaço trabalhadores, estudantes e usuários dos serviços de Saúde Mental do SUS. Desde então, temos crescido e nos deparamos cada vez com desafios maiores, que exigem mais esforço e mais profundidade a respeito do que fazemos enquanto movimento social. Da Universidade, saímos para o âmbito da cidade e aí queremos estar para que todos possam se apossar também dessa luta.

Estudantes no I ENEAMA, Porto Alegre-RS, 2010

Nesse momento, convidamos todos os interessados na Luta Antimanicomial e na pauta da Saúde Pública e Mental a comparecerem neste dia 30 de agosto, às 17h30 (local à confirmar, provavelmente na Universidade Federal de Santa Catarina) em uma reunião de Formação para nossa ida ao III ENEAMA em Belo Horizonte-MG. Iremos explorar o histórico da luta antimanicomial e do movimento em nosso país e depois iremos pensá-lo dentro da cidade de Florianópolis.

Materiais indicados para a formação:
– A saúde no Brasil e no mundo, por Angelita Nedel (Coletivo PIRA)
– Trajetória da Luta Antimanicomial, por Angelita Nedel (Coletivo PIRA)
– Reforma Psiquiátrica Brasileira, por Felipe Brognoli
(Coletivo PIRA)
– Crise mundial, conjuntura política e social no Brasil, por Eduardo Mourão Vasconcelos

Acreditamos que seja tempo de nos apoderarmos cada vez mais dos preceitos da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial, bem como pacto em defesa do SUS e a retomada radical do controle social, envolvendo todos os setores da sociedade na discussão a respeito da loucura, discriminação, sociedade e saúde.

Por uma sociedade sem manicômios e SUS 100% público!

Saudações Antimanicomiais,
Coletivo PIRA

Acompanhe no Facebook e no nosso blog as datas e o local da reunião:
Facebook: http://www.facebook.com/pirantimanicomial
Blog: https://coletivopira.wordpress.com/

Grupo de Teatro CAPSII – Ponta do Coral

O Coletivo PIRA convida a todos para participar do Grupo de Teatro do CAPSII – Ponta do Coral. O grupo é coordenado pelo professor Marquito e composto por usuários e estudantes da UFSC. Os encontros acontecem todas as quintas-feiras a partir das 13h30.

Algumas peças já foram montadas, como uma releitura da obra de Machado de Assis, “O Alienista” e outras anteriores, sempre com a participação dos usuários. A peça atual se chama: “Pot-pourri ou Pote Podre: Seu Aqueu e seus filhos”. A história acontece em torno de um pai tirano que não aceita e não consegue lidar com a diferença de seus sete filhos: um gay, uma gaya, um militante da Luta Antimanicomial, um que pensa ser uma abelhinha, um usuário de drogas, um tourettiano e uma mulher de 30 anos que não quer se casar.

O grupo é aberto e nos encontros acontecem jogos teatrais que envolvam os usuários e ensaios da peça.

O quê: Grupo de Teatro

Onde: CAPS II – Ponta do Coral

Quando: Todas as quintas feiras, às 13h30

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